Energia

Estamina: como a CatLena estima o seu glicogênio

O que é glicogênio, quanto cabe no seu corpo e como a CatLena estima o estoque dia a dia, com os estudos por trás e exemplos com números.

· 8 min de leitura

Em resumo

  • Glicogênio é o carboidrato guardado nos músculos e no fígado, o combustível dos treinos intensos.
  • A CatLena estima quanto cabe no seu corpo e soma o que você come e subtrai o que os treinos gastam, dia a dia.
  • O % do cartão na Alimentação é o estoque agora: refeições já marcadas como comidas e treinos já feitos.
  • É um modelo: mostra bem a variação entre os dias, mas o valor exato pode errar em cerca de 30% a 40%.

O corpo guarda carboidrato na forma de glicogênio: a maior parte nos músculos (cerca de 500 g num adulto) e uma parte menor no fígado (cerca de 100 g) [1]. É dele que vem boa parte da energia dos treinos mais fortes. Quando o estoque está baixo, o treino rende menos. A estamina da CatLena é uma estimativa desse estoque, em g e em % da capacidade.

Ninguém mede o glicogênio em casa: isso exige biópsia ou ressonância. Por isso a CatLena usa um modelo de balanço, como um extrato bancário. Tem um tamanho de conta (quanto cabe), entradas (o carboidrato que você come) e saídas (o que os treinos e o próprio corpo gastam).

Um dia na prática

O cartão Estamina, na tela Alimentação, mostra o seu estoque agora: o que você tinha no fim de ontem, mais o carboidrato das refeições que você já marcou como comidas, menos os treinos que já marcou como feitos. O gasto do cérebro e do resto do corpo em repouso é descontado do dia inteiro logo de manhã; por isso o número cai quando o dia começa e sobe conforme você marca as refeições. Refeições planejadas e treinos que ainda não aconteceram não entram no número.

Veja um dia de um homem de 70 kg, com 15% de gordura e VO₂máx 52 (capacidade de cerca de 634 g):

MomentoO que a CatLena contaEstamina no cartão
Fim de ontemPonto de partida480 g · 76%
Acordou, nada marcadoDesconta o repouso do dia: 120 g (ainda sem proteína)360 g · 57%
Café marcado60 g de carboidrato, 8 g de fibra, 30 g de proteína423 g · 67%
Almoço marcadoNo dia: 150 g de carboidrato, 20 g de fibra, 70 g de proteína515 g · 81%
Corrida feita600 kcal com FC média 150: −89 g426 g · 67%
Jantar marcadoNo dia: 250 g de carboidrato, 30 g de fibra, 120 g de proteína533 g · 84%

No exemplo real abaixo, o cartão mostra 509 g de glicogênio (92% da capacidade), 212 g de carboidrato já comidos e 91 g gastos no dia, somando repouso e treino.

Cartão Estamina da tela Alimentação do app, com 92%, 509 g no estoque, 212 g de carboidrato comidos e 91 g gastos
Alimentação › Estamina: o estoque agora, o carboidrato comido e o gasto do dia.

1. Quanto cabe: a capacidade

  • Massa magra = peso × (1 − % de gordura), com as medidas da tela Corpo.
  • Músculo = parte da massa magra, estimada pelo sexo: 53% nos homens e 45% nas mulheres (50% se o sexo não estiver no perfil). Um estudo com ressonância em 468 adultos encontrou músculo em cerca de 38% do peso nos homens e 31% nas mulheres [2], o que dá mais ou menos essas partes da massa magra.
  • Glicogênio nos músculos = músculo × K, em g por kg de músculo.
  • Glicogênio no fígado = 1,4 g por kg de peso, o que dá cerca de 100 g num adulto de 70 kg. Medidas diretas mostram que ele sobe depois das refeições e cai nas horas seguintes [3].

O K cresce com o condicionamento. Uma meta-análise de 181 estudos encontrou cerca de 17 g de glicogênio por kg de músculo em homens com VO₂máx perto de 53, e cerca de 2,5 g a mais a cada 10 pontos de VO₂máx [4]. A CatLena sugere o K pelo seu VO₂máx, em degraus:

Seu VO₂máx (ml/kg·min)K sugerido (g por kg de músculo)
abaixo de 4013
40 a 5015
50 a 6017
acima de 6019

2. O que entra: a comida

  • Entra o carboidrato menos a fibra, porque a fibra não vira glicose [5].
  • O cérebro e o sistema nervoso usam cerca de 120 g de glicose por dia, mesmo em repouso. É por causa dessa necessidade que a recomendação mínima de carboidrato é de 130 g por dia [5].
  • Parte dessa glicose vem da proteína, pela gliconeogênese. A CatLena conta 0,35 g de glicose por grama de proteína, até 60 g por dia. É um valor entre o máximo teórico (0,5 a 0,8 g por grama) [6] e o que foi medido em pessoas nas primeiras horas depois de uma refeição (cerca de 0,17 g por grama) [7].
  • O resto do gasto do cérebro sai do glicogênio, com um mínimo de 40 g por dia.
  • O estoque não enche mais do que 2,5 g por kg de peso por dia. É um limite conservador da CatLena: nas horas depois do treino, o músculo consegue guardar bem mais rápido do que isso [8][9].

3. O que sai: os treinos

Numa corrida ou caminhada, a CatLena pega as calorias do treino e calcula quanto delas veio do carboidrato: gasto em glicogênio = calorias × fração de carboidrato ÷ 4 (cada grama de carboidrato tem cerca de 4 kcal). A fração cresce com a intensidade: em treinos leves o corpo usa mais gordura, em treinos fortes usa mais carboidrato. É o conceito de "crossover" [10].

A intensidade vem da frequência cardíaca média, em % da sua frequência máxima. Se você não informa a máxima, a CatLena estima por 211 − 0,64 × idade, fórmula de um estudo com 3.320 adultos que fizeram teste máximo; o erro típico é de cerca de 11 batimentos por minuto [11].

% da FC máximaFração de carboidrato usada pela CatLena
50%20%
60%30%
70%45%
80%60%
90%80%
100%90%

Essa curva é uma aproximação da CatLena baseada no crossover. Em ciclistas treinados, medido em laboratório, o carboidrato foi cerca de 46% da energia com 44% do VO₂máx, 51% com 57% e 76% com 72% [12]. A curva da CatLena fica mais baixa nas intensidades leves, ou seja, tende a não exagerar o gasto nos treinos fáceis. A frequência cardíaca vem do Strava. Sem ela, numa corrida a CatLena usa o pace comparado ao seu VO₂máx; caminhadas sem frequência cardíaca, ou corridas sem VO₂máx, ficam fora do gasto. Em caminhadas leves (abaixo de 55% da FC máxima), as calorias do relógio são reduzidas em 25%, porque costumam vir superestimadas.

No treino de força, a CatLena conta 20 g por sessão mais 2,2 g por série (40 g quando não há séries registradas). Estudos com biópsia mostram quedas de 12% do glicogênio do músculo depois de uma série e de 24% depois de três [13], queda de cerca de 26% depois de uma sessão pesada de pernas [14] e de 23% a 44%, conforme o tipo de fibra, depois de uma sessão de 45 minutos [15]. A fórmula por série é da CatLena e fica na mesma ordem de grandeza.

4. O saldo do dia

Saldo de hoje = saldo de ontem + entrada líquida − treinos, sempre entre zero e a capacidade. O cálculo começa 120 dias antes de hoje, em 85% da capacidade, e segue dia a dia até hoje.

Estamina (% da capacidade)Faixa (cor do % no app)
acima de 80%Carregado (verde)
60% a 80%Adequado (azul)
40% a 60%Baixo (âmbar)
abaixo de 40%Muito baixo (vermelho)

Cada treino também ganha um selo de demanda, pelo gasto em relação à capacidade: muito baixa (menos de 5%), baixa (5% a 12%), moderada (12% a 20%), alta (20% a 30%) e muito alta (acima de 30%).

O que é escolha da CatLena

  • Os degraus do K pelo VO₂máx, a parte da massa magra que é músculo (53% nos homens, 45% nas mulheres) e o fígado em 1,4 g por kg seguem os estudos, mas os números redondos são escolhas do modelo.
  • A curva de carboidrato pela frequência cardíaca, a conta de 20 g + 2,2 g por série na força, a glicose da proteína (0,35 g por grama, até 60 g) e o limite de 2,5 g por kg por dia não vêm de um estudo único: são aproximações da CatLena.
  • Por isso o valor absoluto pode errar em cerca de 30% a 40%. A variação de um dia para o outro, que depende das mesmas contas, é bem mais confiável.

Como ajustar

Configurações do app, tela Estamina, com Coeficiente K e FC máxima automáticos e intensidade pela frequência cardíaca
Configurações › Estamina: K, FC máxima e de onde vem a intensidade.
  • Em Configurações › Estamina, você pode fixar o K (por exemplo, se já fez uma avaliação) e a sua FC máxima real, medida num teste.
  • Também pode escolher se a intensidade vem da frequência cardíaca ou do pace.
  • Deixando vazio, a CatLena usa os valores automáticos descritos acima. Sem VO₂máx, o K é 15; sem % de gordura registrada, a CatLena usa 18% (homens), 26% (mulheres) ou 22% (sexo não informado).

Referências

  1. Jensen J, Rustad PI, Kolnes AJ, Lai YC. The role of skeletal muscle glycogen breakdown for regulation of insulin sensitivity by exercise. Frontiers in Physiology, 2011;2:112. Ver o estudo
  2. Janssen I, Heymsfield SB, Wang ZM, Ross R. Skeletal muscle mass and distribution in 468 men and women aged 18–88 yr. Journal of Applied Physiology, 2000;89(1):81–88. Ver o estudo
  3. Taylor R, Magnusson I, Rothman DL, et al. Direct assessment of liver glycogen storage by 13C nuclear magnetic resonance spectroscopy and regulation of glucose homeostasis after a mixed meal in normal subjects. Journal of Clinical Investigation, 1996;97(1):126–132. Ver o estudo
  4. Areta JL, Hopkins WG. Skeletal muscle glycogen content at rest and during endurance exercise in humans: a meta-analysis. Sports Medicine, 2018;48(9):2091–2102. Ver o estudo
  5. Slavin JL, Engstrom SK. Carbohydrates. Advances in Nutrition, 2024;15(11):100311. Ver o estudo
  6. Nuttall FQ, Gannon MC. Dietary protein and the blood glucose concentration. Diabetes, 2013;62(5):1371–1372. Ver o estudo
  7. Fromentin C, Tomé D, Nau F, et al. Dietary proteins contribute little to glucose production, even under optimal gluconeogenic conditions in healthy humans. Diabetes, 2013;62(5):1435–1442. Ver o estudo
  8. Ivy JL, Katz AL, Cutler CL, Sherman WM, Coyle EF. Muscle glycogen synthesis after exercise: effect of time of carbohydrate ingestion. Journal of Applied Physiology, 1988;64(4):1480–1485. Ver o estudo
  9. Kerksick CM, Arent S, Schoenfeld BJ, et al. International Society of Sports Nutrition position stand: nutrient timing. Journal of the International Society of Sports Nutrition, 2017;14:33. Ver o estudo
  10. Brooks GA, Mercier J. Balance of carbohydrate and lipid utilization during exercise: the "crossover" concept. Journal of Applied Physiology, 1994;76(6):2253–2261. Ver o estudo
  11. Nes BM, Janszky I, Wisløff U, Støylen A, Karlsen T. Age-predicted maximal heart rate in healthy subjects: the HUNT fitness study. Scandinavian Journal of Medicine & Science in Sports, 2013;23(6):697–704. Ver o estudo
  12. van Loon LJ, Greenhaff PL, Constantin-Teodosiu D, Saris WH, Wagenmakers AJ. The effects of increasing exercise intensity on muscle fuel utilisation in humans. Journal of Physiology, 2001;536(Pt 1):295–304. Ver o estudo
  13. MacDougall JD, Ray S, Sale DG, et al. Muscle substrate utilization and lactate production. Canadian Journal of Applied Physiology, 1999;24(3):209–215. Ver o estudo
  14. Tesch PA, Colliander EB, Kaiser P. Muscle metabolism during intense, heavy-resistance exercise. European Journal of Applied Physiology, 1986;55(4):362–366. Ver o estudo
  15. Koopman R, Manders RJ, Jonkers RA, et al. Intramyocellular lipid and glycogen content are reduced following resistance exercise in untrained healthy males. European Journal of Applied Physiology, 2006;96(5):525–534. Ver o estudo

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Autor: · Publicado em: 26 de setembro de 2026

Como citar: Equipe CatLena. Estamina: como a CatLena estima o seu glicogênio. CatLena [Internet]. 26 set. 2026. Disponível em: https://catlena.com/pt/articles/glycogen-stamina