Alimentação

Na mesma régua: frutas, açúcares, petiscos e bebidas em tabelas

Calorias, carboidrato e fibra de 16 frutas, seis açúcares em 100 g e em 5 g, 12 petiscos em 30 g e o álcool e as calorias de cada bebida.

· 11 min de leitura

Em resumo

  • Fruta inteira esteve associada a menos ganho de peso ao longo dos anos; a bebida açucarada, a mais.
  • Mel, mascavo e açúcar branco têm calorias parecidas; o mascavo e o melado trazem mais ferro e potássio, em quantidades pequenas na colher.
  • Em 30 g, amendoim, castanhas e chocolate têm calorias próximas, mas proteína e fibra muito diferentes.
  • Uma lata de cerveja, uma taça de vinho e uma dose de destilado têm cerca de 14 g de álcool e 100 kcal só do álcool.

Comparar alimentos na mesma porção ajuda a escolher sem culpa e sem mito. Este guia reúne quatro tabelas, de frutas, açúcares, petiscos e bebidas, com o que os estudos mostram sobre cada grupo. Os valores foram calculados por nós a partir de tabelas de composição de alimentos e podem variar de um produto para outro.

Fruta na porção do dia a dia: 16 frutas

Por 100 g, maçã e refrigerante de cola têm quase o mesmo açúcar, mas a fruta traz fibra e precisa ser mastigada. Em 120.877 adultos, cada porção diária a mais de fruta veio com cerca de 220 g a menos de peso em 4 anos, e cada porção de bebida açucarada, com cerca de 450 g a mais; o suco 100% fruta ficou no meio, com cerca de 140 g a mais [1]. Em 133.468 adultos, frutas mais doces também não vieram com ganho [2], e com as mesmas calorias, a maçã em pedaços levou a comer menos no almoço do que o purê ou o suco [3].

FrutaPorçãokcalCarboidratoFibra
Banana-prata1 média (70 g)6918,2 g1,4 g
Maçã fuji com casca1 média (130 g)7219,8 g1,7 g
Laranja-pera1 média (140 g)5212,5 g1,1 g
Mamão papaiaMeia (150 g)6015,6 g1,5 g
Manga tommy1 fatia grande (120 g)6115,4 g2,5 g
Abacaxi2 fatias finas (150 g)7218,4 g1,5 g
Melancia1 fatia média (200 g)6516,2 g0,2 g
Melão1 fatia média (150 g)4411,2 g0,5 g
Morango10 unidades (120 g)368,2 g2,0 g
Uva itália1 cacho pequeno (100 g)5313,6 g0,9 g
Pera williams1 média (130 g)6918,2 g3,9 g
Goiaba vermelha1 média (170 g)9222,1 g10,5 g
Kiwi1 unidade (75 g)388,6 g2,0 g
Tangerina ponkan1 média (135 g)5113,0 g1,2 g
Ameixa2 unidades (100 g)5213,9 g2,4 g
Abacate2 colheres de sopa (60 g)583,6 g3,8 g

Prefira a fruta inteira na maior parte das vezes. Fruta em calda costuma ter açúcar adicionado, e a desidratada concentra mais calorias no mesmo peso [4]. Os estudos longos usam o que as pessoas relataram e mostram associação, sem provar causa.

Seis açúcares na mesma tabela, em 100 g e em 5 g

Mel, mascavo e açúcar branco ficam perto nas calorias. A diferença está nos minerais, que aparecem em 100 g e quase somem na colher. O demerara não está na tabela brasileira [5]; para ele, olhe o rótulo.

Em 100 gkcalFerroPotássio
Refinado3870,1 mg6 mg
Cristal3870,2 mg3 mg
Mascavo3698,3 mg522 mg
Rapadura3524,4 mg459 mg
Mel3090,3 mg99 mg
Melado2975,4 mg395 mg
Em 5 g (1 colher de chá)kcalFerroPotássio
Refinado ou cristal19Menos de 0,1 mgMenos de 1 mg
Mascavo180,4 mg26 mg
Rapadura180,2 mg23 mg
Mel15Menos de 0,1 mg5 mg
Melado150,3 mg20 mg

Para comparar, 100 g de feijão carioca cozido têm 1,3 mg de ferro e 255 mg de potássio [5]. A colher também muda a conta: 1 colher de sopa de mel pesa 21 g, cerca de 65 kcal, e a de açúcar branco, 12,6 g, cerca de 49 kcal [6]. Pese a sua colher uma vez.

Nos estudos, 55 adultos que consumiram 50 g por dia de mel, açúcar comum ou xarope de milho, 2 semanas cada, não tiveram diferença em glicose, insulina e peso [7]. Uma revisão viu pequenas melhoras com mel, a maioria com baixa certeza e contra a alimentação habitual [8], e o mel e o mascavo têm mais antioxidantes do que o açúcar branco, medidos no alimento [9]. A Organização Mundial da Saúde conta todos como açúcares livres e sugere menos de 10% das calorias do dia, cerca de 50 g de açúcar em uma dieta de 2.000 kcal [10].

12 petiscos na mesma porção de 30 g

Em 30 gkcalProteínaFibra
Amendoim torrado e salgado1826,8 g2,3 g
Paçoca1464,8 g2,2 g
Amêndoa torrada e salgada1745,6 g3,5 g
Castanha-de-caju torrada1715,5 g1,1 g
Castanha-do-Brasil crua1934,3 g2,4 g
Noz crua1864,2 g2,2 g
Chocolate ao leite1622,2 g0,7 g
Chocolate meio amargo1421,5 g1,5 g
Biscoito recheado de chocolate1421,9 g0,9 g
Batata frita tipo chips1631,7 g0,8 g
Pipoca com óleo, sem sal1343,0 g4,3 g
Doce de banana em barra840,7 g1,1 g

O número da tabela é uma previsão: em amêndoas inteiras, a energia medida foi de 129 kcal em 28 g, contra 168 a 170 kcal previstas [11], enquanto na pasta de amêndoa a medida ficou igual à prevista [12]. Quem comeu amendoim inteiro eliminou mais gordura nas fezes do que quem comeu pasta ou óleo [13].

Em 25 adultos que somaram 20 kcal por quilo ao dia por 2 semanas, o peso subiu com doces e não teve aumento significativo com amendoim [14]. Em 15 adultos com cerca de 505 kcal de amendoim por dia por 8 semanas, 66% dessas calorias foram compensadas comendo menos do resto, e o ganho foi de 1 kg, contra 3,6 kg previstos [15]. São estudos curtos e pequenos; amendoim ainda soma calorias, e quem tem alergia precisa evitar.

A conta de cada bebida: álcool e calorias

A conta usa volume, teor alcoólico, a densidade do álcool (0,789 g por mL) e 7 kcal por grama; só o álcool entra, e açúcar e misturas somam a mais. A referência é a dose padrão americana, de cerca de 14 g de álcool [16]. Quem não bebe não tem motivo para começar.

BebidaVolume e teorÁlcoolkcal do álcool
Chope300 mL, 5%12 g83
Cerveja, garrafa pequena330 mL, 5%13 g91
Cerveja, lata350 mL, 5%14 g97
Cerveja mais forte350 mL, 10%28 g193
Vinho ou espumante150 mL, 12%14 g99
Destilado45 mL, 40%14 g99

Em testes com adultos jovens, quem bebeu comeu em média 82 kcal a mais e somou 256 kcal a mais no total [17]. O álcool adianta o início do sono e aumenta as interrupções na segunda metade da noite [18], e em 4.098 finlandeses a recuperação medida pelo coração caiu mais quanto maior a dose [19]. Depois do treino, cerca de 12 doses reduziram em 24% a produção de proteína no músculo, mesmo com 25 g de proteína [20]; 1 g de álcool por quilo reduziu a força [21], e 0,5 g por quilo não mudou [22].

  • Veja o teor no rótulo e faça a conta pela tabela.
  • Não troque a refeição pela bebida: faça a refeição com proteína no horário normal.
  • Evite beber para dormir e, em dia de treino pesado, deixe a recuperação em primeiro lugar.
  • Nunca dirija depois de beber.

Como a CatLena usa

Na tela Alimentação, cada fruta, colher de açúcar, petisco ou bebida registrada entra no total do dia com energia, proteína, carboidrato, gordura e fibra. No exemplo abaixo, a energia do dia estava em 1.204 kcal, com 24 g de fibra de uma meta de 43 g. Uma goiaba, com 10,5 g de fibra, já fecharia boa parte da diferença.

Tela Alimentação do app com 1.204 kcal no dia e fibra de 24 g de uma meta de 43 g
Alimentação: o que você registra entra no total do dia, nutriente por nutriente.

Quando procurar um profissional

Referências

  1. Mozaffarian D, Hao T, Rimm EB, Willett WC, Hu FB. Changes in diet and lifestyle and long-term weight gain in women and men. The New England journal of medicine, 2011;364(25):2392-404. Ver o estudo
  2. Bertoia ML, Mukamal KJ, Cahill LE, Hou T, Ludwig DS, Mozaffarian D, et al. Changes in Intake of Fruits and Vegetables and Weight Change in United States Men and Women Followed for Up to 24 Years: Analysis from Three Prospective Cohort Studies. PLoS medicine, 2015;12(9):e1001878. Ver o estudo
  3. Flood-Obbagy JE, Rolls BJ. The effect of fruit in different forms on energy intake and satiety at a meal. Appetite, 2009;52(2):416-22. Ver o estudo
  4. Sharma SP, Chung HJ, Kim HJ, Hong ST. Paradoxical Effects of Fruit on Obesity. Nutrients, 2016;8(10). Ver o estudo
  5. Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação (NEPA), Universidade Estadual de Campinas. Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO). 4ª ed. Campinas: NEPA-Unicamp, 2011. Ver o estudo
  6. U.S. Department of Agriculture, Agricultural Research Service. FoodData Central, 2019. Ver o estudo
  7. Raatz SK, Johnson LK, Picklo MJ. Consumption of Honey, Sucrose, and High-Fructose Corn Syrup Produces Similar Metabolic Effects in Glucose-Tolerant and -Intolerant Individuals. The Journal of nutrition, 2015;145(10):2265-72. Ver o estudo
  8. Ahmed A, Tul-Noor Z, Lee D, Bajwah S, Ahmed Z, Zafar S, et al. Effect of honey on cardiometabolic risk factors: a systematic review and meta-analysis. Nutrition reviews, 2023;81(7):758-774. Ver o estudo
  9. Phillips KM, Carlsen MH, Blomhoff R. Total antioxidant content of alternatives to refined sugar. Journal of the American Dietetic Association, 2009;109(1):64-71. Ver o estudo
  10. World Health Organization. Guideline: sugars intake for adults and children. Geneva: WHO, 2015. Ver o estudo
  11. Novotny JA, Gebauer SK, Baer DJ. Discrepancy between the Atwater factor predicted and empirically measured energy values of almonds in human diets. The American journal of clinical nutrition, 2012;96(2):296-301. Ver o estudo
  12. Gebauer SK, Novotny JA, Bornhorst GM, Baer DJ. Food processing and structure impact the metabolizable energy of almonds. Food & function, 2016;7(10):4231-4238. Ver o estudo
  13. Traoret CJ, Lokko P, Cruz AC, Oliveira CG, Costa NM, Bressan J, et al. Peanut digestion and energy balance. International journal of obesity (2005), 2008;32(2):322-8. Ver o estudo
  14. Claesson AL, Holm G, Ernersson A, Lindström T, Nystrom FH. Two weeks of overfeeding with candy, but not peanuts, increases insulin levels and body weight. Scandinavian journal of clinical and laboratory investigation, 2009;69(5):598-605. Ver o estudo
  15. Alper CM, Mattes RD. Effects of chronic peanut consumption on energy balance and hedonics. International journal of obesity and related metabolic disorders : journal of the International Association for the Study of Obesity, 2002;26(8):1129-37. Ver o estudo
  16. National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism. What is a standard drink? Bethesda: NIAAA. Ver o estudo
  17. Kwok A, Dordevic AL, Paton G, Page MJ, Truby H. Effect of alcohol consumption on food energy intake: a systematic review and meta-analysis. The British journal of nutrition, 2019;121(5):481-495. Ver o estudo
  18. Ebrahim IO, Shapiro CM, Williams AJ, Fenwick PB. Alcohol and sleep I: effects on normal sleep. Alcoholism, clinical and experimental research, 2013;37(4):539-49. Ver o estudo
  19. Pietilä J, Helander E, Korhonen I, Myllymäki T, Kujala UM, Lindholm H. Acute Effect of Alcohol Intake on Cardiovascular Autonomic Regulation During the First Hours of Sleep in a Large Real-World Sample of Finnish Employees: Observational Study. JMIR mental health, 2018;5(1):e23. Ver o estudo
  20. Parr EB, Camera DM, Areta JL, Burke LM, Phillips SM, Hawley JA, et al. Alcohol ingestion impairs maximal post-exercise rates of myofibrillar protein synthesis following a single bout of concurrent training. PloS one, 2014;9(2):e88384. Ver o estudo
  21. Barnes MJ, Mündel T, Stannard SR. Post-exercise alcohol ingestion exacerbates eccentric-exercise induced losses in performance. European journal of applied physiology, 2010;108(5):1009-14. Ver o estudo
  22. Barnes MJ, Mündel T, Stannard SR. A low dose of alcohol does not impact skeletal muscle performance after exercise-induced muscle damage. European journal of applied physiology, 2011;111(4):725-9. Ver o estudo

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Autor: · Publicado em: 4 de novembro de 2026

Como citar: Equipe CatLena. Na mesma régua: frutas, açúcares, petiscos e bebidas em tabelas. CatLena [Internet]. 4 nov. 2026. Disponível em: https://catlena.com/pt/articles/food-tables