Treino
Esforço na série: repetições em reserva, drop set, descida e dor
Quanto perto da falha levar a série, quando o drop set ajuda, se a descida lenta faz crescer mais e por que a dor do dia seguinte não mede o treino.
· 9 min de leitura
Em resumo
- Terminar a série com 1 a 2 repetições em reserva rendeu músculo parecido com ir até a falha em pessoas treinadas.
- O drop set não trouxe mais músculo do que séries normais, mas encurta o tempo de um exercício.
- Descer em 1 ou em 4 segundos levou a ganhos parecidos; a velocidade da repetição tem efeito pequeno.
- A dor do dia seguinte cai em poucas semanas e o músculo continua crescendo: carga, repetições e constância medem melhor o progresso.
No treino de força, o esforço de cada série é o que mais muda de uma pessoa para outra. Uma série pode terminar longe do limite, perto dele ou na falha, quando a repetição seguinte não sobe mais. Este guia reúne o que os estudos mostram sobre quatro dúvidas comuns: até onde levar a série, o drop set, a velocidade da descida e a dor no dia seguinte. Em cada uma, há uma forma prática de testar no seu treino.
Repetições em reserva: até onde levar a série
Repetições em reserva são as repetições que você ainda faria ao terminar a série. Se parou e faria mais 2, ficaram 2 em reserva. Se não conseguiria mais nenhuma, ficaram 0, o que equivale a chegar à falha.
Em 8 semanas, 18 pessoas já treinadas fizeram exercícios de perna até a falha ou parando com 1 a 2 repetições em reserva. O aumento da espessura da coxa foi praticamente o mesmo: 0,181 cm e 0,182 cm [1]. O estudo é pequeno e avaliou um só grupo muscular.
Uma análise que reuniu vários estudos encontrou ganho de força parecido em uma faixa ampla de repetições em reserva e tendência de mais crescimento muscular quanto mais perto da falha [2]. Os autores pedem cautela, porque as repetições em reserva foram estimadas a partir da descrição de cada estudo. Com uma série só por exercício, em 42 pessoas treinadas, as duas formas trouxeram ganhos; algumas medidas de músculo favoreceram a falha, com diferenças modestas, e a força foi parecida [3].
A estimativa não precisa ser perfeita. Uma revisão com 414 participantes encontrou erro médio de 0,95 repetição, e as pessoas tenderam a prever menos repetições do que conseguiam fazer [4]. O palpite fica mais preciso perto da falha: em séries longas de agachamento, o erro foi de cerca de 2 repetições quando a pessoa achava que restava 1, e de cerca de 5 quando achava que restavam 5 [5].
- Ao terminar cada série, diga um número: quantas repetições você ainda faria.
- Anote esse número ao lado da carga e das repetições.
- De vez em quando, em um exercício seguro, como uma máquina, continue até não conseguir mais e compare com o que você previu.
Drop set: quando usar e quanto baixar o peso
No drop set, ao chegar perto da falha, você reduz o peso e continua a série sem descansar. Uma revisão com 12 estudos e 274 pessoas não encontrou diferença clara entre drop set e séries normais no ganho de músculo e de força [6]. Outra revisão, com 6 estudos, chegou à mesma conclusão sobre o músculo e classificou os resultados como preliminares [7].
A vantagem está no tempo. Em dois estudos que cronometraram um único exercício, o drop set levou cerca de 2,4 minutos contra 5,3 minutos em um, e 2,1 minutos contra 6,8 minutos no outro [7]. Em compensação, a sensação de esforço e o lactato, um sinal do esforço do músculo, foram maiores com o drop set, e os autores recomendam atenção à recuperação [6].
| Peso inicial | 1ª redução | 2ª redução |
|---|---|---|
| 20 kg | 15 kg | 12 kg |
| 40 kg | 30 kg | 24 kg |
| 60 kg | 45 kg | 36 kg |
Na tabela, a 1ª redução é de cerca de 25% e a 2ª, de cerca de 20%. O formato típico descrito na literatura é de 1 a 3 reduções de 20% a 25% do peso [8]; em um dos estudos, foram 3 reduções de 20% [9]. Prefira máquinas, polias e halteres, em que trocar o peso é rápido e parar a série é seguro. Para encurtar um treino, mantenha as séries normais nos primeiros exercícios, os de maior carga, e use o drop set só nos dois últimos.
Descida lenta: a ficha para comparar 2 velocidades
Descer o peso em 4 segundos deixa a série bem mais difícil, mas os estudos não mostram mais músculo por isso. Em 18 pessoas sem treino recente, 7 semanas de agachamento com descida de 1 ou de 4 segundos aumentaram a área da frente da coxa em 0,58 cm² e 0,64 cm², sem diferença confirmada [10]. Em 13 homens treinados, descidas de 1 e de 3 segundos na cadeira extensora deram ganhos parecidos de músculo e força em 8 semanas [12].
A força também não aponta para um lado só. Em jogadores de futebol, descer em 2 segundos rendeu mais carga no agachamento máximo do que descer em 4 segundos [11]. No conjunto, uma revisão de 14 estudos encontrou efeito mínimo da velocidade da repetição no crescimento muscular [13], e uma revisão mais antiga viu ganhos parecidos em repetições de 0,5 a 8 segundos, com sinais de que passar de 10 segundos pode ser pior [14].
Para escolher com números, compare as duas velocidades no seu treino: 2 semanas com a descida habitual e 2 semanas com descida de 3 ou 4 segundos, no mesmo exercício e com as mesmas séries. Com a descida lenta, espere fazer menos repetições e reduza a carga se a técnica piorar.
Exemplo de ficha preenchida no agachamento:
| Semana | Descida | Carga e repetições | Controle (1 a 5) |
|---|---|---|---|
| 1 | Habitual | 40 kg × 10, 10, 9 | 4 |
| 2 | Habitual | 42 kg × 10, 9, 9 | 4 |
| 3 | 3 a 4 s | 36 kg × 9, 8, 8 | 5 |
| 4 | 3 a 4 s | 38 kg × 9, 8, 8 | 5 |
Se as duas renderam parecido, fique com a velocidade que você consegue manter e na qual sente mais controle do movimento.
Dor no dia seguinte: 4 sinais que medem melhor o treino
Em um estudo brasileiro, 10 homens sem treinar as pernas havia 6 meses fizeram leg press e cadeira extensora 2 vezes por semana, por 10 semanas. A dor dois dias depois do treino foi em média de 61 em 100 na primeira semana e de 8 em 100 nas semanas 3 e 10. Mesmo assim, as fibras do músculo cresceram cerca de 14%, de forma clara só na semana 10 [15].
Em outro estudo, um grupo começou o treino direto e teve dor e sinais de lesão muscular; o outro subiu a carga aos poucos e não teve esses sinais. Depois de 8 semanas, os dois ganharam o mesmo tamanho de músculo, e a força subiu 25% e 26% [16]. Uma revisão concluiu que a lesão não é o que faz o músculo crescer: nos primeiros treinos, boa parte da proteína produzida vai para o reparo [17].
| Sinal | O que anotar | Progresso |
|---|---|---|
| Carga | Peso de cada exercício | Subiu |
| Repetições | Repetições de cada série | Mais com o mesmo peso |
| Esforço | Repetições em reserva | Série pesada, mesmo sem dor |
| Constância | Treinos feitos na semana | Semanas seguidas |
Compare esses sinais a cada 2 a 4 semanas, e não de um treino para o outro.
Como a CatLena usa
Na tela Treino, cada treino de força fica registrado com os exercícios, as séries e as calorias. No exemplo abaixo, o Treino de força A teve 4 exercícios e 15 séries, como previsto, gastou 410 kcal e usou cerca de 53 g do estoque de carboidrato. A carga e as repetições de cada série ficam no registro do treino, o que permite comparar as semanas pelos sinais acima, sem depender da dor.

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Referências
- Refalo MC, Helms ER, Robinson ZP, Hamilton DL, Fyfe JJ. Similar muscle hypertrophy following eight weeks of resistance training to momentary muscular failure or with repetitions-in-reserve in resistance-trained individuals. Journal of Sports Sciences, 2024;42(1):85–101. Ver o estudo
- Robinson ZP, Pelland JC, Remmert JF, Refalo MC, Jukic I, Steele J, et al. Exploring the dose-response relationship between estimated resistance training proximity to failure, strength gain, and muscle hypertrophy: a series of meta-regressions. Sports Medicine, 2024;54(9):2209–2231. Ver o estudo
- Hermann T, Mohan AE, Enes A, Sapuppo M, Piñero A, Zamanzadeh A, et al. Without fail: muscular adaptations in single-set resistance training performed to failure or with repetitions-in-reserve. Medicine and Science in Sports and Exercise, 2025;57(9):2021–2031. Ver o estudo
- Halperin I, Malleron T, Har-Nir I, Androulakis-Korakakis P, Wolf M, Fisher J, et al. Accuracy in predicting repetitions to task failure in resistance exercise: a scoping review and exploratory meta-analysis. Sports Medicine, 2022;52(2):377–390. Ver o estudo
- Zourdos MC, Goldsmith JA, Helms ER, Trepeck C, Halle JL, Mendez KM, et al. Proximity to failure and total repetitions performed in a set influences accuracy of intraset repetitions in reserve-based rating of perceived exertion. Journal of Strength and Conditioning Research, 2021;35(Suppl 1):S158–S165. Ver o estudo
- Havers T, Micke F, Geisler S, Held S. Acute and chronic effects of drop-set training: a meta-analysis and systematic review. Sports Medicine – Open, 2026;12(1). Ver o estudo
- Sødal LK, Kristiansen E, Larsen S, van den Tillaar R. Effects of drop sets on skeletal muscle hypertrophy: a systematic review and meta-analysis. Sports Medicine – Open, 2023;9(1):66. Ver o estudo
- Iversen VM, Norum M, Schoenfeld BJ, Fimland MS. No time to lift? Designing time-efficient training programs for strength and hypertrophy: a narrative review. Sports Medicine, 2021;51(10):2079–2095. Ver o estudo
- Fink J, Schoenfeld BJ, Kikuchi N, Nakazato K. Effects of drop set resistance training on acute stress indicators and long-term muscle hypertrophy and strength. Journal of Sports Medicine and Physical Fitness, 2018;58(5):597–605. Ver o estudo
- Kojic F, Mandic D, Duric S. The effects of eccentric phase tempo in squats on hypertrophy, strength, and contractile properties of the quadriceps femoris muscle. Frontiers in Physiology, 2024;15:1531926. Ver o estudo
- Shibata K, Takizawa K, Nosaka K, Mizuno M. Effects of prolonging eccentric phase duration in parallel back-squat training to momentary failure on muscle cross-sectional area, squat one repetition maximum, and performance tests in university soccer players. Journal of Strength and Conditioning Research, 2021;35(3):668–674. Ver o estudo
- Pearson J, Wadhi T, Barakat C, Aube D, Schoenfeld BJ, Andersen JC, et al. Does varying repetition tempo in a single-joint lower body exercise augment muscle size and strength in resistance-trained men? Journal of Strength and Conditioning Research, 2022;36(8):2162–2168. Ver o estudo
- Enes A, Piñero A, Hermann T, Zamanzadeh A, Hennessy T, Montenegro D, et al. How slow should you go? A systematic review with meta-analysis of the effect of resistance training repetition tempo on muscle hypertrophy. Journal of Strength and Conditioning Research, 2025;39(12):1331–1339. Ver o estudo
- Schoenfeld BJ, Ogborn DI, Krieger JW. Effect of repetition duration during resistance training on muscle hypertrophy: a systematic review and meta-analysis. Sports Medicine, 2015;45(4):577–585. Ver o estudo
- Damas F, Phillips SM, Libardi CA, Vechin FC, Lixandrão ME, Jannig PR, et al. Resistance training-induced changes in integrated myofibrillar protein synthesis are related to hypertrophy only after attenuation of muscle damage. Journal of Physiology, 2016;594(18):5209–5222. Ver o estudo
- Flann KL, LaStayo PC, McClain DA, Hazel M, Lindstedt SL. Muscle damage and muscle remodeling: no pain, no gain? Journal of Experimental Biology, 2011;214(Pt 4):674–679. Ver o estudo
- Damas F, Libardi CA, Ugrinowitsch C. The development of skeletal muscle hypertrophy through resistance training: the role of muscle damage and muscle protein synthesis. European Journal of Applied Physiology, 2018;118(3):485–500. Ver o estudo
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