Treino

A semana de treino: musculação com cardio, semana leve e volta depois da pausa

Como juntar musculação e cardio na mesma semana, por que a força ajuda quem corre, quando aliviar o treino e como voltar depois de uma pausa.

· 11 min de leitura

Em resumo

  • Somar cardio à musculação não mostrou diferença clara no tamanho do músculo nem na força máxima; a força explosiva cresce menos com os dois na mesma sessão.
  • Para quem corre, a musculação com carga alta melhora a economia de corrida, sem mudar o peso.
  • A semana leve é comum entre atletas e não atrapalhou os ganhos nos poucos estudos que a testaram.
  • Depois de uma pausa, a força e o músculo voltam depressa: a volta pode começar com cerca de 60% da carga.

Organizar a semana de treino envolve escolhas que se repetem: encaixar o cardio sem prejudicar a musculação, decidir se a força cabe na rotina de quem corre, saber quando aliviar e como voltar depois de semanas parado. Este guia reúne o que os estudos mostram sobre cada uma, com modelos de semana para adaptar.

Musculação e cardio na mesma semana: 3 modelos

Em 43 estudos com 1.090 adultos saudáveis, somar cardio ao mesmo treino de força não mostrou diferença clara no tamanho do músculo nem na força máxima [1]. A força explosiva, de saltar ou arrancar, cresceu menos, sobretudo com os dois treinos na mesma sessão; com pelo menos 3 horas de intervalo, a diferença não apareceu de forma clara. Em 15 estudos, o cardio reduziu um pouco o crescimento das fibras musculares, mais com a corrida do que com a bicicleta, um dado ainda preliminar [2].

Em 59 estudos com 1.346 adultos, houve uma pequena perda no ganho de força das pernas nos homens, e não nas mulheres [3]. Um resumo de 17 revisões concluiu que juntar os dois melhorou o fôlego mais do que a musculação sozinha, com força e músculo comparáveis, e a ordem dos treinos na mesma sessão não fez diferença significativa [4].

Dia3 dias4 dias5 dias
SegCorpo inteiro e 20 min de cardio leveParte de cimaParte de cima
TerCardio, 30 a 40 minCardio moderado
QuaCorpo inteiroPernas
QuiPernas
SexCorpo inteiro e 20 min de cardio leveCorpo inteiro
SábCardio ou corpo inteiroCardio longo e leve

Quando o objetivo incluir salto ou arranque, deixe pelo menos 3 horas entre os dois treinos. Evitar cardio forte logo antes de um treino pesado de pernas é uma orientação prática, e não um resultado dos estudos.

Musculação para quem corre: como começar

A musculação não costuma mudar o quanto de oxigênio você usa no máximo, mas pode reduzir a energia gasta no mesmo ritmo, o que se chama economia de corrida. Um resumo de 17 revisões encontrou efeitos de moderados a grandes na economia, sem mudança no consumo máximo de oxigênio, com confiança baixa na maioria das revisões [5].

O tipo de treino importa. Em 31 estudos com 652 corredores, a carga alta, de 80% do máximo ou mais, e a mistura de métodos melhoraram a economia; carga moderada e exercícios isométricos, sozinhos, não [6]. Em 38 estudos com 894 corredores, a carga alta teve efeito moderado no desempenho, e saltos sozinhos não tiveram efeito significativo [7]. Em 40 semanas, corredores que fizeram musculação ganharam força e economia sem mudança significativa no peso, na gordura ou na massa magra [8].

  • Reserve 1 ou 2 sessões por semana; os programas estudados duraram 6 semanas ou mais.
  • Comece com exercícios de perna que você já faz com boa técnica, como leg press e agachamento.
  • Suba a carga aos poucos: a carga alta só faz sentido depois de aprender o movimento.

Semana leve: modelo e ficha de sinais

Em uma pesquisa com 246 atletas de força e de físico, a semana leve durava cerca de 6,4 dias e vinha a cada 5,6 semanas. Os motivos mais citados foram o programa prever a pausa (65,4%), dor nos músculos ou nas articulações (62,6%) e rendimento parado ou em queda (54,1%) [9]. Treinadores entrevistados indicam de 5 a 7 dias a cada 4 a 6 semanas e dizem que não existe um único jeito de fazer [10].

Os testes ainda são poucos. Em 39 jovens treinados, parar uma semana no meio de 9 semanas não reduziu o ganho de músculo das pernas; no agachamento, a média subiu 13 kg com a pausa e 16,4 kg sem ela, diferença incerta [11]. Em 19 iniciantes, reduzir para 2 séries nas semanas 4 e 8 não atrapalhou o músculo nem a força [12]. Um consenso de especialistas concorda que faltam estudos [13].

  • Mantenha os mesmos dias e exercícios por cerca de uma semana.
  • Faça aproximadamente metade das séries de costume.
  • Use um pouco menos de peso se as articulações incomodarem e termine cada série com folga de 3 ou 4 repetições.
  • Na semana seguinte, volte ao treino habitual.

Exemplo de ficha de sinais, preenchida uma vez por semana:

SemanaCarga caiu?Dor articular?Vontade (0 a 10)Decisão
1NãoNão8Seguir
2SimLeve5Observar
3SimLeve4Semana leve

Volta depois da pausa: as 4 primeiras semanas

Parar custa: em 7 iniciantes, a massa magra das pernas subiu 6,5% em 7 semanas de treino e caiu 4,6% depois de 7 semanas parado [14]. A volta, porém, costuma andar depressa. Na Finlândia, 42 iniciantes treinaram 10 semanas, pararam 10 e voltaram por mais 10, enquanto outro grupo treinou 20 semanas seguidas; no fim, força e músculo não tinham diferença, e nas 5 primeiras semanas de volta o grupo da pausa subiu mais [15]. Em 14 rapazes no supino, alternar 6 semanas de treino com 3 de pausa deu ganho parecido ao do treino contínuo em 24 semanas [16].

O motivo ainda não está fechado. O músculo treinado mantém mais núcleos nas células depois da pausa, mas em dois estudos o braço ou a perna com treino anterior não cresceu mais na volta [17][18]. Quase tudo foi medido em iniciantes; em quem treina há anos e em pausas muito longas, a resposta pode ser diferente.

SemanaCargaFolga ao terminar a série
1Cerca de 60% da anterior4 ou 5 repetições
2Cerca de 70%3 ou 4 repetições
3Cerca de 80%2 ou 3 repetições
4O que a técnica permitir1 ou 2 repetições

Com pausa curta, de 2 ou 3 semanas, é possível começar um pouco acima. Com pausa longa, repita a semana 1 antes de avançar.

Como a CatLena usa

Na tela Treino, corrida e musculação aparecem na mesma semana. No exemplo abaixo, o Treino de força A de quinta-feira, com 4 exercícios e 15 séries, é seguido de uma rodagem leve de 6 km em 33 minutos, a 5:30 por quilômetro, na sexta, e do Treino de força B no sábado. Ver os dois tipos de treino juntos ajuda a respeitar o intervalo entre eles e a notar quando a semana pede alívio.

Tela Treino do app com treino de força na quinta, rodagem de 6 km na sexta e treino de força no sábado
Treino: musculação e corrida na mesma semana, com distância, tempo e ritmo de cada corrida.

Quando procurar um profissional

Referências

  1. Schumann M, Feuerbacher JF, Sünkeler M, Freitag N, Rønnestad BR, Doma K, et al. Compatibility of Concurrent Aerobic and Strength Training for Skeletal Muscle Size and Function: An Updated Systematic Review and Meta-Analysis. Sports medicine (Auckland, N.Z.), 2022;52(3):601-612. Ver o estudo
  2. Lundberg TR, Feuerbacher JF, Sünkeler M, Schumann M. The Effects of Concurrent Aerobic and Strength Training on Muscle Fiber Hypertrophy: A Systematic Review and Meta-Analysis. Sports medicine (Auckland, N.Z.), 2022;52(10):2391-2403. Ver o estudo
  3. Huiberts RO, Wüst RCI, van der Zwaard S. Concurrent Strength and Endurance Training: A Systematic Review and Meta-Analysis on the Impact of Sex and Training Status. Sports medicine (Auckland, N.Z.), 2024;54(2):485-503. Ver o estudo
  4. Held S, Wolf L, Rappelt L, Bloch W, Donath L, Micke F, et al. Maximizing Adaptations in Concurrent Training: An Umbrella Review of Meta-analyses. Sports medicine (Auckland, N.Z.), 2026;56(6):1489-1512. Ver o estudo
  5. Ramos-Campo DJ, Andreu-Caravaca L, Clemente-Suárez VJ, Rubio-Arias JÁ. The Effect of Strength Training on Endurance Performance Determinants in Middle- and Long-Distance Endurance Athletes: An Umbrella Review of Systematic Reviews and Meta-Analysis. Journal of strength and conditioning research, 2025;39(4):492-506. Ver o estudo
  6. Llanos-Lagos C, Ramirez-Campillo R, Moran J, Sáez de Villarreal E. Effect of Strength Training Programs in Middle- and Long-Distance Runners’ Economy at Different Running Speeds: A Systematic Review with Meta-analysis. Sports medicine (Auckland, N.Z.), 2024;54(4):895-932. Ver o estudo
  7. Llanos-Lagos C, Ramirez-Campillo R, Moran J, Sáez de Villarreal E. The Effect of Strength Training Methods on Middle-Distance and Long-Distance Runners’ Athletic Performance: A Systematic Review with Meta-analysis. Sports medicine (Auckland, N.Z.), 2024;54(7):1801-1833. Ver o estudo
  8. Beattie K, Carson BP, Lyons M, Rossiter A, Kenny IC. The Effect of Strength Training on Performance Indicators in Distance Runners. Journal of strength and conditioning research, 2017;31(1):9-23. Ver o estudo
  9. Rogerson D, Nolan D, Androulakis Korakakis P, Immonen V, Wolf M, Bell L. Deloading Practices in Strength and Physique Sports: A Cross-sectional Survey. Sports medicine - open, 2024;10(1):26. Ver o estudo
  10. Bell L, Nolan D, Immonen V, Helms E, Dallamore J, Wolf M, et al. "You can’t shoot another bullet until you’ve reloaded the gun": Coaches’ perceptions, practices and experiences of deloading in strength and physique sports. Frontiers in sports and active living, 2022;4:1073223. Ver o estudo
  11. Coleman M, Burke R, Augustin F, Piñero A, Maldonado J, Fisher JP, et al. Gaining more from doing less? The effects of a one-week deload period during supervised resistance training on muscular adaptations. PeerJ, 2024;12:e16777. Ver o estudo
  12. Pancar Z, Ilhan MT, Darendeli MK, Karaca B, Ikidag MA, Tasdogan AM, et al. Effects of deload periods in resistance training on muscle hypertrophy and strength endurance in untrained young men using a randomized within subject design. Scientific reports, 2026;16(1). Ver o estudo
  13. Bell L, Strafford BW, Coleman M, Androulakis Korakakis P, Nolan D. Integrating Deloading into Strength and Physique Sports Training Programmes: An International Delphi Consensus Approach. Sports medicine - open, 2023;9(1):87. Ver o estudo
  14. Seaborne RA, Strauss J, Cocks M, Shepherd S, O’Brien TD, van Someren KA, et al. Human Skeletal Muscle Possesses an Epigenetic Memory of Hypertrophy. Scientific reports, 2018;8(1):1898. Ver o estudo
  15. Halonen EJ, Gabriel I, Kelahaara MM, Ahtiainen JP, Hulmi JJ. Does Taking a Break Matter-Adaptations in Muscle Strength and Size Between Continuous and Periodic Resistance Training. Scandinavian journal of medicine & science in sports, 2024;34(10):e14739. Ver o estudo
  16. Ogasawara R, Yasuda T, Ishii N, Abe T. Comparison of muscle hypertrophy following 6-month of continuous and periodic strength training. European journal of applied physiology, 2013;113(4):975-85. Ver o estudo
  17. Cumming KT, Reitzner SM, Hanslien M, Skilnand K, Seynnes OR, Horwath O, et al. Muscle memory in humans: evidence for myonuclear permanence and long-term transcriptional regulation after strength training. The Journal of physiology, 2024;602(17):4171-4193. Ver o estudo
  18. Psilander N, Eftestøl E, Cumming KT, Juvkam I, Ekblom MM, Sunding K, et al. Effects of training, detraining, and retraining on strength, hypertrophy, and myonuclear number in human skeletal muscle. Journal of applied physiology (Bethesda, Md. : 1985), 2019;126(6):1636-1645. Ver o estudo

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Autor: · Publicado em: 4 de novembro de 2026

Como citar: Equipe CatLena. A semana de treino: musculação com cardio, semana leve e volta depois da pausa. CatLena [Internet]. 4 nov. 2026. Disponível em: https://catlena.com/pt/articles/training-week