Saúde

Sinais do corpo: coração de quem corre, falta de energia e banho de gelo

Os sinais que pedem avaliação do coração em quem corre, como reconhecer a falta de energia para o treino e quando o banho de gelo ajuda ou atrapalha.

· 10 min de leitura

Em resumo

  • Quem treinou mais teve mais cálcio nas artérias, mas correr esteve associado a menos morte cardiovascular ao longo dos anos.
  • Dor no peito, falta de ar fora do normal, coração disparado, tontura ou desmaio pedem avaliação médica antes do próximo treino.
  • Comer menos do que o treino exige pode prejudicar ossos, hormônios e desempenho, mesmo com o peso estável.
  • O gelo alivia a dor no dia seguinte, mas logo depois da musculação pode reduzir um pouco o ganho de músculo.

Alguns sinais do corpo pedem mais atenção do que outros. Este guia reúne o que os estudos mostram sobre o coração de quem corre há anos, sobre a falta de energia quando a comida não cobre o treino e sobre o banho de gelo, com perguntas para levar à consulta. Ele não avalia a sua saúde: só um profissional pode fazer isso.

Corrida e coração: sinais e 6 perguntas para a consulta

Em 284 homens esportistas de cerca de 55 anos, o cálcio nas artérias do coração apareceu em 68% dos que mais treinaram na vida e em 43% dos que menos treinaram, mas entre os que mais treinaram a placa era mais vezes só calcificada, um tipo que pode ser mais estável [1]. Em 152 atletas veteranos, 60% tinham cálcio normal, parecido com quem não treinava, embora os homens atletas tivessem mais placas [2].

Ao longo dos anos, correr esteve associado a risco 45% menor de morte cardiovascular em 55.137 adultos [3], e, entre homens com cálcio alto, os muito ativos não tiveram mortalidade maior [4]. Os atletas têm chance 2,46 vezes maior de fibrilação atrial, um tipo de arritmia [5], e em 10,9 milhões de participantes de maratonas e meias houve cerca de 0,54 parada cardíaca a cada 100 mil [6]. São estudos de observação, com muitos homens de meia-idade.

  • Dor, aperto ou desconforto no peito.
  • Falta de ar fora do normal para o esforço.
  • Coração disparado, batendo irregular ou com falhas.
  • Tontura ou desmaio.
  • Cansaço novo, sem explicação.

Qualquer um desses sinais pede avaliação antes do próximo treino. Na consulta, vale perguntar: qual é o meu risco, com idade, pressão, colesterol e histórico familiar; se os sinais pedem exame antes de continuar; se faz sentido medir o cálcio nas artérias e o que fazer com o resultado; o que muda no treino se vier alterado; se preciso de avaliação antes de aumentar o volume ou correr uma prova longa; e quais sintomas devem me fazer parar. Leve anotados os anos e as horas de treino, as provas longas, os casos de doença do coração na família e os remédios e suplementos.

Falta de energia em quem corre: sinais e perguntas

A deficiência relativa de energia no esporte, chamada REDs, acontece quando a comida não cobre o gasto dos treinos e o que o corpo precisa para funcionar [7]. Pode ser de propósito, para mudar o corpo, ou sem perceber, por falta de tempo, mudança no apetite ou uma relação difícil com a comida, e o peso pode ficar estável mesmo com o corpo funcionando pior [8].

Sinal para anotarObservação
Treino que deixa de renderRecuperação mais lenta
Lesões por estresse no ossoPedem avaliação médica
Doenças ou lesões frequentesComparar com os últimos 12 meses
Menstruação irregular ou que parouNão é efeito normal do treino
Queda da libido em homensTestosterona baixa em exames
Medo ou culpa ao comerTreino usado para compensar a comida

Carregar peso extra custa energia e tempo nos testes [9][10], mas eles usaram peso colocado por fora e provas curtas: não mostram que ficar mais leve comendo pouco deixa alguém mais rápido. Para a consulta, leve 2 semanas de anotações de treino, sono e menstruação e pergunte: o que eu como cobre o meu treino; vale pedir exames; preciso avaliar a saúde dos ossos; devo mudar o treino enquanto investigamos; e quem mais deve me acompanhar.

Banho de gelo: quando entrar e quando pular

Em 21 homens com 12 semanas de musculação de pernas, o grupo que ficava 10 minutos em água a cerca de 10 °C depois do treino ganhou 103 g de músculo na frente da coxa, contra 309 g do grupo que pedalava leve [11]. Uma perna resfriada produziu menos proteína muscular do que a outra em 2 semanas [12], e as fibras de contração rápida cresceram menos com o frio em 7 semanas, com força parecida [13]. Por outro lado, depois de esforço intenso, a dor caiu e a potência melhorou em 24 horas [14], com os melhores resultados entre 11 °C e 15 °C por 11 a 15 minutos [15]. Uma revisão de 15 revisões classificou a certeza como baixa ou muito baixa [16].

Objetivo agoraSugestão
Ganhar músculoDeixar o gelo de fora depois da musculação
Competir ou repetir esforço amanhãPode usar, sabendo que a força não volta mais rápido
Resistência ao longo dos mesesReservar para dias em que o desempenho seguinte pesa
Aliviar a dor de uma sessão isoladaDecisão sua

Antes de entrar, pergunte: qual é a minha meta deste mês; tenho esforço importante nas próximas 24 horas; esse banho virou hábito depois de toda musculação. Ainda não se sabe quanto tempo de intervalo evitaria o efeito sobre o músculo, nem se o resultado é igual em mulheres.

Como a CatLena usa

Na tela Treino, o histórico das corridas e dos treinos de força fica guardado com distância, tempo, séries e calorias. No exemplo abaixo, a semana tinha 2 treinos de força e uma rodagem de 6 km. Esse histórico ajuda a responder, na consulta, quantas horas e quantos anos você treina; a CatLena não avalia a saúde do coração nem substitui o médico.

Tela Treino do app com treinos de força e uma rodagem de 6 km na semana
Treino: o histórico de corridas e treinos de força, para mostrar na consulta.

Quando procurar um profissional

Referências

  1. Aengevaeren VL, Mosterd A, Braber TL, Prakken NHJ, Doevendans PA, Grobbee DE, et al. Relationship Between Lifelong Exercise Volume and Coronary Atherosclerosis in Athletes. Circulation, 2017;136(2):138-148. Ver o estudo
  2. Merghani A, Maestrini V, Rosmini S, Cox AT, Dhutia H, Bastiaenan R, et al. Prevalence of Subclinical Coronary Artery Disease in Masters Endurance Athletes With a Low Atherosclerotic Risk Profile. Circulation, 2017;136(2):126-137. Ver o estudo
  3. Lee DC, Pate RR, Lavie CJ, Sui X, Church TS, Blair SN. Leisure-time running reduces all-cause and cardiovascular mortality risk. Journal of the American College of Cardiology, 2014;64(5):472-81. Ver o estudo
  4. DeFina LF, Radford NB, Barlow CE, Willis BL, Leonard D, Haskell WL, et al. Association of All-Cause and Cardiovascular Mortality With High Levels of Physical Activity and Concurrent Coronary Artery Calcification. JAMA cardiology, 2019;4(2):174-181. Ver o estudo
  5. Newman W, Parry-Williams G, Wiles J, Edwards J, Hulbert S, Kipourou K, et al. Risk of atrial fibrillation in athletes: a systematic review and meta-analysis. British journal of sports medicine, 2021;55(21):1233-1238. Ver o estudo
  6. Kim JH, Malhotra R, Chiampas G, d’Hemecourt P, Troyanos C, Cianca J, et al. Cardiac arrest during long-distance running races. The New England journal of medicine, 2012;366(2):130-40. Ver o estudo
  7. Mountjoy M, Ackerman KE, Bailey DM, Burke LM, Constantini N, Hackney AC, et al. 2023 International Olympic Committee’s (IOC) consensus statement on Relative Energy Deficiency in Sport (REDs). British journal of sports medicine, 2023;57(17):1073-1097. Ver o estudo
  8. Melin AK, Heikura IA, Tenforde A, Mountjoy M. Energy Availability in Athletics: Health, Performance, and Physique. International journal of sport nutrition and exercise metabolism, 2019;29(2):152-164. Ver o estudo
  9. Teunissen LP, Grabowski A, Kram R. Effects of independently altering body weight and body mass on the metabolic cost of running. The Journal of experimental biology, 2007;210(Pt 24):4418-27. Ver o estudo
  10. Hoogkamer W, Kipp S, Spiering BA, Kram R. Altered Running Economy Directly Translates to Altered Distance-Running Performance. Medicine and science in sports and exercise, 2016;48(11):2175-2180. Ver o estudo
  11. Roberts LA, Raastad T, Markworth JF, Figueiredo VC, Egner IM, Shield A, et al. Post-exercise cold water immersion attenuates acute anabolic signalling and long-term adaptations in muscle to strength training. The Journal of physiology, 2015;593(18):4285-301. Ver o estudo
  12. Fuchs CJ, Kouw IWK, Churchward-Venne TA, Smeets JSJ, Senden JM, Lichtenbelt WDVM, et al. Postexercise cooling impairs muscle protein synthesis rates in recreational athletes. The Journal of physiology, 2020;598(4):755-772. Ver o estudo
  13. Fyfe JJ, Broatch JR, Trewin AJ, Hanson ED, Argus CK, Garnham AP, et al. Cold water immersion attenuates anabolic signaling and skeletal muscle fiber hypertrophy, but not strength gain, following whole-body resistance training. Journal of applied physiology (Bethesda, Md. : 1985), 2019;127(5):1403-1418. Ver o estudo
  14. Moore E, Fuller JT, Buckley JD, Saunders S, Halson SL, Broatch JR, et al. Impact of Cold-Water Immersion Compared with Passive Recovery Following a Single Bout of Strenuous Exercise on Athletic Performance in Physically Active Participants: A Systematic Review with Meta-analysis and Meta-regression. Sports medicine (Auckland, N.Z.), 2022;52(7):1667-1688. Ver o estudo
  15. Machado AF, Ferreira PH, Micheletti JK, de Almeida AC, Lemes ÍR, Vanderlei FM, et al. Can Water Temperature and Immersion Time Influence the Effect of Cold Water Immersion on Muscle Soreness? A Systematic Review and Meta-Analysis. Sports medicine (Auckland, N.Z.), 2016;46(4):503-14. Ver o estudo
  16. Berjisian E, Miraftabi H, Ihsan M, Homer KA, Kendall K, Roberts L, et al. Strategic Application of Post-exercise Cold-Water Immersion to Enhance Performance Recovery and Adaptation: An Umbrella Review of 15 Published Systematic Reviews with Meta-analysis. Sports medicine - open, 2026;12(1). Ver o estudo

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Autor: · Publicado em: 4 de novembro de 2026

Como citar: Equipe CatLena. Sinais do corpo: coração de quem corre, falta de energia e banho de gelo. CatLena [Internet]. 4 nov. 2026. Disponível em: https://catlena.com/pt/articles/health-signs