Corrida
Comer para a prova: véspera, manhã, treino longo e cãibra
Quanto carboidrato comer na véspera e na manhã da prova para o seu peso, quanto levar no treino longo e o que fazer quando a cãibra aparece.
· 11 min de leitura
Em resumo
- Carregar no carboidrato ajuda em provas acima de 90 minutos; abaixo disso, o jantar de sempre costuma servir.
- Para provas longas, comece por 7 g de carboidrato por quilo de peso na véspera e coma cerca de 4 horas antes da largada.
- No treino longo, até cerca de 60 g de carboidrato por hora, começando com menos e testando no treino, nunca na prova.
- A cãibra costuma vir de vários fatores somados, como ritmo acima do treinado e cansaço; alongar com suavidade é a medida mais indicada na hora.
O que você come na véspera, na manhã e durante uma prova longa pode mudar o resultado, e a resposta depende mais da duração da prova do que da distância. Este guia mostra quanto carboidrato comer para o seu peso, quanto levar no treino longo e o que fazer com a cãibra, na hora e na próxima prova.
Véspera e manhã da prova: quanto comer para o seu peso
Uma revisão mostrou que carregar no carboidrato nos dias antes adiou o cansaço em cerca de 20% em exercícios de resistência e melhorou de 2% a 3% o desempenho em provas de distância fixa acima de 90 minutos; abaixo disso, não houve ganho claro [1]. Na prática, 5 km e 10 km costumam ficar abaixo dessa linha, a meia-maratona depende do ritmo e a maratona quase sempre passa dela.
Na Maratona de Londres, quem comeu mais de 7 g de carboidrato por quilo de peso na véspera correu mais rápido, em um estudo de observação [2]. Para atletas bem treinados, uma revisão cita de 10 g a 12 g por quilo de 36 a 48 horas antes [3]. Comece pelo ponto mais baixo.
| Seu peso | 7 g por quilo | Se fosse só arroz cozido |
|---|---|---|
| 50 kg | 350 g | Cerca de 1,2 kg |
| 60 kg | 420 g | Cerca de 1,5 kg |
| 70 kg | 490 g | Cerca de 1,7 kg |
| 80 kg | 560 g | Cerca de 2,0 kg |
Exemplo de dia para 60 kg, com pão francês de 50 g e banana-prata de cerca de 80 g sem casca: no café, 2 pães, 1 banana e 1 colher de mel (cerca de 95 g de carboidrato); no almoço, 300 g de arroz e 200 g de mandioca cozida (cerca de 145 g); no lanche, 200 g de cuscuz de milho e 1 banana (cerca de 70 g); no jantar, 250 g de arroz, 1 pão e 1 banana (cerca de 120 g). Total de cerca de 430 g. Reduza por um dia os alimentos muito ricos em fibra e gordura.
Na manhã da prova, coma cerca de 4 horas antes: em um estudo, 312 g de carboidrato nesse horário melhoraram o desempenho em 15%, enquanto 45 g e 156 g não mudaram o resultado [4]. Com largada muito cedo, coma menos e mais perto dela; uma revisão não encontrou prejuízo em comer carboidrato ao menos 60 minutos antes [5]. Prefira o que costuma cair bem, como pão com banana, tapioca e cuscuz: não há benefício claro em buscar alimentos especiais de índice glicêmico baixo [6]. Em provas com natação, evite comer nos 30 minutos antes da largada [7].
Em um estudo pequeno, as mulheres só guardaram mais carboidrato nos músculos quando também comeram mais calorias no total [8], e uma revisão recomenda passar de 8 g por quilo, com atenção às calorias do dia [9]. Em 7 ciclistas que comeram carboidrato durante 100 km, a carga não mudou o tempo [10], e a carga de 1 dia foi testada em só 8 atletas em repouso [11].
Treino longo: quanto carboidrato levar por hora
A quantidade depende, antes de tudo, de quanto o treino dura. Uma revisão de 136 estudos encontrou efeito maior em testes até a exaustão e em quem treina menos [12], e as recomendações gerais sobem com a duração [13].
| Duração | Carboidrato por hora | Em bananas por hora |
|---|---|---|
| 1 hora | Pouco ou só um bochecho com bebida | Nenhuma ou pouca |
| 2 a 3 horas | Até cerca de 60 g, começando com menos | Até 2 a 3 |
| Provas muito longas | Cerca de 90 g, com mistura de açúcares | Difícil só com banana |
A conta das bananas é nossa: em um estudo, 794 g de banana somaram 150 g de carboidrato, cerca de 23 g por fruta [14]. Para gel e bebida, veja a linha de carboidratos no rótulo. Líquido, gel ou sólido com pouca gordura, proteína e fibra servem [13]; em 75 km de bicicleta, banana e bebida esportiva deram tempos parecidos, mas com a banana os ciclistas se sentiram mais cheios [14]. Em provas reais, as conclusões valem sobretudo para ciclistas homens treinados, acima de 90 minutos [15].
- Anote a duração do próximo treino longo e consulte a tabela.
- Comece abaixo do teto, dividindo a quantidade ao longo do treino, e beba água junto.
- Observe o estômago e o rendimento; teste no treino, nunca pela primeira vez na prova.
Cãibra: o que fazer na hora e na próxima prova
Na hora, diminua o ritmo ou pare e alongue o músculo com suavidade até a cãibra passar, a medida com a recomendação mais forte em uma revisão de 2022 [16]. Depois, descanse um pouco antes de voltar, porque ela pode retornar. Banana não é tratamento rápido: em 9 homens, o potássio no sangue só subiu depois de 1 hora e seguiu na faixa normal [17]. Um pouco de líquido ácido, como a salmoura de picles, encurtou em 49 segundos uma cãibra provocada em laboratório [18], mas faltam testes em prova.
Na prevenção, o ritmo pesa mais do que a garrafa. Em uma prova de 56 km, quem teve cãibra passou os primeiros 28 km 13 minutos mais rápido, com recordes pessoais parecidos [19]. A cãibra costuma vir de vários fatores somados, como cansaço do músculo e intensidade acima da treinada [20], e beber mais não garantiu proteção [21].
| O que aconteceu | O que ajustar |
|---|---|
| Comecei mais rápido do que treino | Meta realista e ritmo planejado desde a largada |
| Prova mais longa ou intensa que os treinos | Treinar em intensidade e condições parecidas |
| Treinei demais nos dias antes ou dormi mal | Dias leves e descanso antes da prova |
| Comi ou bebi menos do que o planejado | Carboidrato e bebida com sais, sem exagerar na água |
Como a CatLena usa
Na tela Alimentação, o carboidrato do dia aparece com a meta e o quanto falta. No exemplo abaixo, a pessoa tinha comido 128 g de uma meta de 467 g, e faltavam 339 g. Na véspera de uma prova longa, essa barra mostra se a carga planejada está sendo cumprida, refeição por refeição.

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Referências
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- Burke LM, Jeukendrup AE, Jones AM, Mooses M. Contemporary Nutrition Strategies to Optimize Performance in Distance Runners and Race Walkers. International journal of sport nutrition and exercise metabolism, 2019;29(2):117-129. Ver o estudo
- Sherman WM, Brodowicz G, Wright DA, Allen WK, Simonsen J, Dernbach A. Effects of 4 h preexercise carbohydrate feedings on cycling performance. Medicine and science in sports and exercise, 1989;21(5):598-604. Ver o estudo
- Kerksick CM, Arent S, Schoenfeld BJ, Stout JR, Campbell B, Wilborn CD, et al. International society of sports nutrition position stand: nutrient timing. Journal of the International Society of Sports Nutrition, 2017;14:33. Ver o estudo
- Burdon CA, Spronk I, Cheng HL, O’Connor HT. Effect of Glycemic Index of a Pre-exercise Meal on Endurance Exercise Performance: A Systematic Review and Meta-analysis. Sports medicine (Auckland, N.Z.), 2017;47(6):1087-1101. Ver o estudo
- Rehrer NJ, van Kemenade M, Meester W, Brouns F, Saris WH. Gastrointestinal complaints in relation to dietary intake in triathletes. International journal of sport nutrition, 1992;2(1):48-59. Ver o estudo
- Tarnopolsky MA, Zawada C, Richmond LB, Carter S, Shearer J, Graham T, et al. Gender differences in carbohydrate loading are related to energy intake. Journal of applied physiology (Bethesda, Md. : 1985), 2001;91(1):225-30. Ver o estudo
- Sedlock DA. The latest on carbohydrate loading: a practical approach. Current sports medicine reports, 2008;7(4):209-13. Ver o estudo
- Burke LM, Hawley JA, Schabort EJ, St Clair Gibson A, Mujika I, Noakes TD. Carbohydrate loading failed to improve 100-km cycling performance in a placebo-controlled trial. Journal of applied physiology (Bethesda, Md. : 1985), 2000;88(4):1284-90. Ver o estudo
- Bussau VA, Fairchild TJ, Rao A, Steele P, Fournier PA. Carbohydrate loading in human muscle: an improved 1 day protocol. European journal of applied physiology, 2002;87(3):290-5. Ver o estudo
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- Miller KC, Mack GW, Knight KL, Hopkins JT, Draper DO, Fields PJ, et al. Reflex inhibition of electrically induced muscle cramps in hypohydrated humans. Medicine and science in sports and exercise, 2010;42(5):953-61. Ver o estudo
- Schwellnus MP, Allie S, Derman W, Collins M. Increased running speed and pre-race muscle damage as risk factors for exercise-associated muscle cramps in a 56 km ultra-marathon: a prospective cohort study. British journal of sports medicine, 2011;45(14):1132-6. Ver o estudo
- Schwellnus MP. Cause of exercise associated muscle cramps (EAMC)--altered neuromuscular control, dehydration or electrolyte depletion?. British journal of sports medicine, 2009;43(6):401-8. Ver o estudo
- Jung AP, Bishop PA, Al-Nawwas A, Dale RB. Influence of Hydration and Electrolyte Supplementation on Incidence and Time to Onset of Exercise-Associated Muscle Cramps. Journal of athletic training, 2005;40(2):71-75. Ver o estudo
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