Suplementos
Suplementos e aparelhos: creatina, colágeno, testosterona e eletroestimulação
As dúvidas sobre creatina, o que os estudos mediram em cada promessa do colágeno e dos suplementos de testosterona e perguntas antes de pagar por eletroestimulação.
· 12 min de leitura
Em resumo
- A creatina não tem hora certa e, ao parar, a do músculo volta ao nível de antes em cerca de 4 a 6 semanas.
- O colágeno teve os melhores resultados na dor das articulações; na pele, o efeito sumiu nos estudos independentes, e ele não conta como proteína completa.
- A maioria dos ingredientes de suplementos de testosterona não tem estudo ou não mudou o exame em quem tinha níveis normais.
- A eletroestimulação contrai o músculo, mas o resultado depende do aparelho, do tempo de uso e da comparação feita no estudo.
Rótulos e propagandas prometem músculo, pele firme, mais testosterona e treino sem esforço. Este guia mostra o que os estudos mediram em cada promessa, quem participou e quem pagou quando isso é conhecido. Ele não indica produto nem quantidade: serve para decidir com calma e aproveitar melhor a conversa com o médico ou o nutricionista.
Creatina: as dúvidas mais comuns
Ao parar, a creatina guardada no músculo volta ao nível de antes, sem cair abaixo dele: em 31 homens, isso levou cerca de 30 dias [1], e a revisão da Sociedade Internacional de Nutrição Esportiva fala em 4 a 6 semanas [2]. Não há uma hora que faça diferença clara no longo prazo: antes e depois do treino pareceram igualmente eficazes, e o que mais pesa é o uso regular [3].
| Dúvida | O que os estudos mostram |
|---|---|
| Funciona sem treinar? | Algum benefício, sobretudo em quem come pouca carne; em idosos, os ganhos vieram com o treino de força |
| Engorda? | Sem aumento de gordura em estudos de uma semana a dois anos; o peso sobe pela água e pela massa magra |
| Dá cãibra ou desidrata? | Os estudos reunidos não confirmam; a creatina não parece aumentar o volume de urina |
| Mulheres podem usar? | Há estudos em várias fases da vida, com poucos efeitos indesejados |
| Na gravidez? | Não há estudos controlados em gestantes; a conversa é com o médico |
Essas respostas vêm de revisões [3][4], algumas com autores ligados a empresas que vendem creatina. O estudo sobre queda de cabelo durou 12 semanas e terminou com 38 homens, sem repetição em outros grupos [5]. A creatina pode subir a creatinina no exame de sangue, usada para avaliar os rins: avise quem pediu o exame.
Colágeno no rótulo, promessa por promessa
Na pele, 23 estudos com 1.474 pessoas mostraram melhora no conjunto, mas nos estudos sem verba de empresas farmacêuticas e nos de melhor qualidade não houve efeito em hidratação, elasticidade nem rugas [6]. O melhor resultado foi na dor das articulações, em 15 estudos com colágeno e exercício, 13 deles com verba comercial [7].
| Promessa | O que foi medido | Cuidado |
|---|---|---|
| Pele | 23 estudos: efeito sumiu nos independentes | O resultado muda com o financiamento |
| Articulações | 15 estudos, 5 g a 15 g ao dia: menos dor | 13 de 15 com verba comercial |
| Produção de colágeno | 8 homens, 15 g de gelatina antes do exercício: marcador dobrou | Marcador no sangue não é tendão mais forte |
| Tendão | 40 homens, 5 g ao dia por 14 semanas: área 11,0% contra 4,7% | Força e lesão não mudaram ou não foram medidas |
| Músculo | 22 mulheres idosas: o whey subiu a produção de músculo, o colágeno não | Estudo pequeno e curto |
Os detalhes estão nos estudos de gelatina [8], de tendão [9] e de músculo [10]; outros estudos com musculação acharam mais massa magra com colágeno, que não é só músculo [11][12]. O colágeno não tem triptofano, um aminoácido essencial, e por isso não faz o papel de frango, ovo, feijão, leite ou peixe na conta de proteína do dia [13].
- Qual promessa me fez querer comprar: pele, articulação ou músculo?
- Essa promessa tem bons estudos independentes?
- A quantidade no rótulo é a mesma testada nos estudos?
- O estudo citado pela marca foi pago por ela?
- Minha proteína do dia já está coberta sem contar o colágeno?
Suplementos de testosterona: ingrediente por ingrediente
| Ingrediente | Quem foi testado | Resultado |
|---|---|---|
| Ácido D-aspártico | 22 homens treinados, 12 semanas | Testosterona e força sem mudança |
| Zinco com magnésio | 14 homens ativos sem falta de zinco | Testosterona sem mudança |
| Tribulus | 10 estudos, 483 pessoas | 8 sem mudança; alta pequena em homens com nível baixo |
| Vitamina D | 94 homens com testosterona baixa | Exame sem mudança |
| Feno-grego | 7 estudos, 449 pessoas | Efeito pequeno; força não confirmada |
| Ashwagandha | 57 homens de 40 a 70 anos | 14,7% mais testosterona; disposição igual |
Os estudos estão citados em ordem: ácido D-aspártico [14], com uma dose maior reduzindo a testosterona em outro teste [15]; zinco e magnésio [16]; tribulus [17]; vitamina D [18]; feno-grego [19]; e ashwagandha, em estudo pago por uma empresa do extrato [20], com uma revisão de 20 estudos indicando mais força só em pessoas ativas [21].
No quadro geral, em 50 suplementos, 61,5% dos 109 ingredientes não tinham estudo sobre testosterona, e 13 produtos passavam do limite de ingestão de zinco, vitamina B3 ou magnésio [22]. Uma revisão de 52 estudos concluiu que a maioria dos ingredientes não sobe a testosterona total [23], e os relatos positivos em lojas on-line caíram 93% depois de filtrar comentários pouco confiáveis [24]. Em homens, a diretriz pede exame pela manhã, em jejum, repetido para confirmar [25].
- O que explica o meu cansaço, além da testosterona?
- Faz sentido medir a testosterona no meu caso? Como e quando?
- Algum ingrediente do rótulo conflita com o que eu já uso ou com a minha saúde?
- Somando tudo o que eu tomo, passo do limite de algum mineral ou vitamina?
- O que no meu sono, na alimentação e no treino vale olhar primeiro?
Eletroestimulação: 6 perguntas antes de pagar
A eletroestimulação contrai o músculo; o resultado é o que muda. Em 27 jovens, um aparelho usado como o manual pedia não teve efeito em peso, gordura, medidas ou força [26]. Um cinto no abdome, 5 dias por semana por 8 semanas, aumentou a força do abdome em 58% e reduziu a cintura em 3,5 cm, sem mudar o peso, em estudo pago pelo fabricante [27]. Em 46 homens, o traje de corpo inteiro com instrutor deu ganhos de massa magra e força parecidos com os da musculação em 16 semanas [28].
Uma reunião de 26 estudos com 1.183 pessoas encontrou ganho pequeno a moderado em músculo e força em comparação a quem não treinava, sem responder se supera a musculação [29]. Há relatos de rabdomiólise, uma lesão muscular grave, depois de sessões de corpo inteiro [30], e pesquisadores revisaram as situações em que o uso não é indicado [31].
- Foi testado contra o quê: contra quem ficou parado ou contra outro treino?
- O teste foi com este tipo de aparelho, cinto ou traje com instrutor?
- Quanto uso foi preciso, em vezes por semana, minutos e semanas?
- Quem pagou o estudo?
- O que foi medido: força, massa magra, cintura ou impressão da pessoa?
- Quem ajusta a intensidade, e devo falar com um médico antes?
Como a CatLena usa
Na tela Alimentação, a proteína do dia aparece com a meta e o quanto falta, junto da fibra e dos demais nutrientes. No exemplo abaixo, eram 84 g de uma meta de 155 g. Ver esse número antes de comprar um suplemento ajuda a saber se a conta fecha com comida.

Quando procurar um profissional
Referências
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- Antonio J, Brown AF, Candow DG, Chilibeck PD, Ellery SJ, Forbes SC, et al. Part II. Common questions and misconceptions about creatine supplementation: what does the scientific evidence really show?. Journal of the International Society of Sports Nutrition, 2025;22(1):2441760. Ver o estudo
- Antonio J, Candow DG, Forbes SC, Gualano B, Jagim AR, Kreider RB, et al. Common questions and misconceptions about creatine supplementation: what does the scientific evidence really show?. Journal of the International Society of Sports Nutrition, 2021;18(1):13. Ver o estudo
- Lak M, Forbes SC, Ashtary-Larky D, Dadkhahfar S, Robati RM, Nezakati F, et al. Does creatine cause hair loss? A 12-week randomized controlled trial. Journal of the International Society of Sports Nutrition, 2025;22(sup1):2495229. Ver o estudo
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